Futebol e ENEM

fevereiro 17th, 2012 | 0 comments

Seria interessante que todo atleta só pudesse tornar-se profissional após terminar o Ensino Médio. É uma medida educativa para toda a sociedade, pois teremos garantias de que:

  • Todo atleta, com salário alto ou baixo, tem o Ensino Médio completo;
  • Nenhum atleta ganha dinheiro no esporte profissional, abandonando os estudos;
  • Todo clube irá se preocupar com os estudos dos seus atletas.

Mas vou além disso.

Proponho exigir qualidade nesse Ensino Médio, caso se prefira “comprar” diplomas. Uma das possibilidades é exigir uma qualificação mínima via ENEM, para medir a aprendizagem.

Funcionaria?

O segredo de Messi

maio 3rd, 2011 | 0 comments

As jogadas de Messi, o jogador que mais tem encantado o mundo nestes tempos, possuem um segredo simples.

Uma vez tomei contato com uma frase que dizia: “Potência não é nada sem controle”. Descobri que era uma propaganda da Pirelli. Esta frase me ensinou sobre os limites da potência, coisa que eu nunca havia parado para pensar.

As jogadas principais de Messi são ataques com bola nos pés, em velocidade. Ele demonstra uma potência muscular acima da média, nas suas arrancadas e mudanças de direção. Porém, há muitos jogadores, aqui mesmo no Brasil, com potência igual ou superior à dele, que não chegam a ter o mesmo sucesso. O segredo de Messi não é sua explosão muscular.

Leis da física dão conta de explicar que um atacante que venha em velocidade consiga passar facilmente por um defensor parado. Mas não é uma manobra de sucesso 100% garantido. Para passar pelo defensor, o atacante terá frações de segundo para avaliar e tomar a melhor decisão. Ele irá avaliar sua velocidade e a do defensor, a direção do deslocamento do defensor, a comunicação corporal para antecipar o que ele pretende fazer, e julgar qual tipo de manobra terá mais chances de aproveitar esta situação: um drible em meia-lua, uma pedalada, um corte, etc.

O jogador dificilmente terá mais que um segundo para avaliar e decidir. Ele estará em alta velocidade. Não são todos os jogadores que são formados para avaliar e decidir corretamente, em velocidade. Messi tem essa habilidade e ela é o segredo de suas jogadas: o controle para que sua potência seja perfeitamente aproveitada.

O que o professor de futebol diz ao seu aluno quando ele tenta driblar, num treino? Que ele não está jogando sério? Que está jogando errado? No meu contato com treinadores de futebol, ainda não conheci alguém que incentivasse a prática do drible, que mesmo planejasse o treinamento do drible, da tomada de decisão e da avaliação em alta velocidade. Não há metodologia, não há incentivo, não há preparo do professor! Creio que Messi e Neymar sejam tipos de rebeldes do treinamento de futebol, que é inimigo do drible.

Ah, futebol… Como você poderia ser melhor!

O fim do futebol brasileiro supremo

abril 10th, 2011 | 0 comments

Quero fazer uma previsão do futuro: o futebol brasileiro campeão, como o conhecemos, irá acabar. Vou expor meus argumentos:

Quem ensina o brasileiro a jogar futebol não é o clube, é a rua. É a bola na rua, nos campos espalhados pelos bairros. Porém, cada vez mais nas ruas passam carros, ônibus, impedindo a bola de rolar. A violência urbana na mídia e a evolução eletrônica, das TVs aos games, prendem mais as crianças em casa do que antes, e a bola na rua rola cada vez menos. Já os campos de várzea estão dando lugares a casas populares, empreendimentos comerciais, shoppings, serviços de saúde, e já não irão mais ter bola rolando daqui para a frente.

Os clubes estão muito preocupados com a faixa dos 16 anos de idade, quando se pode prender um jogador a um contrato. Quem o ensina a chutar a bola, a dar os primeiros dribles? Isto não parece interessar aos clubes. Acho mais fácil encontrar equipes e torneios Sub-15 e Sub-17, atualmente . Vejo os clubes sem a preocupação de ensinar, apenas a de selecionar. Vejo times Sub-17 quase inteiros sendo desfeitos entre setembro e novembro, e refeitos novamente no começo do ano seguinte.

As idades de Sub-13 para baixo costumam ser aproveitadas por amantes do futebol, gente que costuma trabalhar de graça ou ganhando muito pouco dinheiro,  apenas por prazer, ou ainda por pedófilos que, secretamente, procuram estar próximos dessas crianças, gerando vários casos de pedofilia pouco ou muito divulgados, alguns dos quais chegam aos meus ouvidos.

Os clubes não trabalham com currículos organizado por idades. Os técnicos não criam uma lista das habilidades técnicas e táticas que seus jogadores precisam aprender em cada idade. E creio que apenas em clubes maiores dos que eu tive contato devem ter preparadores físicos bem formados, que sabe diferenciar um treinamento físico para Sub-15 de um para Sub-20.

Como os jogadores em formação Sub-13 facilmente encontram locais para treinar onde não se cobra nada, dificilmente uma Escola de Futebol conseguirá reunir bons profissionais e pedagogos do esporte num trabalho organizado de aprendizagem do futebol, cobrando uma mensalidade dos alunos que pague seus salários e suas despesas.

E como os clubes possuem uma preferência ENORME por ex-jogadores, treinadores que já possuam “nome” ou o bolso cheio de dinheiro, este mercado continuará fechado para quem estudou para ser professor de futebol, e desestimulará os formados em Educação Física a se pós-graduarem em futebol. Assim, no futuro, continuaremos vendo ex-jogadores que não terminaram o ensino fundamental pegando turmas de crianças para prescrever atividade física de aprendizagem esportivas para elas, não importando mais as diferenças entre o saber jogar e o saber ensinar a jogar.

Os poucos campos que ainda existem pelos bairros já possuem algum vereador ou outro político tomando conta, ou algum dono de terreno tentando fazê-lo parecer produtivo ou ocupado, e neles já há uma fila de ex-jogadores, alguns que nem chegaram a profissionais, ou amantes do futebol que já estão com suas equipes trabalhando nos campos, mas raramente alguém formado, que tenha um roteiro do que deve ensinar, que saiba com qual método ensinar, que queira planejar e que saiba por que deve avaliar seu ensino.

Às vezes recebo notícias de que o país X e o país Y estão investindo pesado nas categorias de base do futebol, e penso em como estas categorias estão desperdiçadas, no Brasil. Vêm notícias de Estados Unidos, Japão, Austrália e Nova Zelândia, recentemente o Uruguai… E nós, jogados à própria sorte.

Lembro de uma vez em que trabalhei num clube e sugeri ao diretor que adotássemos uma padrão de avaliação física periódica, para medir o quanto nosso treinamento físico estava dando resultados, me prontifiquei a montar a avaliação, e ele riu para mim e disse: “Não precisa disso, não! A gente vê daqui qual atleta não está rendendo…”.

Para mim, é impossível ver futuro assim.