Letras de música devem ser poesias

março 27th, 2012 | 0 comments

“É a verdade o que assombra,

O descaso o que condena

A estupidez o que destrói”

(Legião Urbana, Metal contra as nuvens)

Tenho que inaugurar o primeiro artigo sobre música assim, em alto nível. Defendo que letras de música devem ser poesias e tento seguir este caminho, com minhas músicas.

O cálculo é simples: música não inclui comunicação verbal. O que é a música senão a arte dos sons? A arte das palavras é a poesia. Se a música incluir letra, e quiser continuar pura arte, a letra precisa ser poética.

O RAP é uma sigla que significa “ritmo e poesia” (Rythim And Poetry).

E grandes cantores são, comumente, chamados de poetas. Por exemplo:

“Os botões da blusa que você usava

E meio confusa desabotoava

Iam, pouco a pouco, me deixando ver

No meio de tudo, um pouco de você”

(Roberto Carlos, Os seus botões)

Eu também não poderia escrever este post sem mencionar Roberto Carlos. Ele seria eliminado em qualquer primeira fase do Ídolos, mas nenhum campeão do Ídolos será um poeta com a inspiração dele. Este tipo de programa não prepara poetas.

E anda nos faltando poetas. Nas letras atuais costumam faltar a beleza, o choque emocional que nos arrepie, nos toque de algum modo profundo. Faltam a graça e o espírito.

Precisamos separar o que é poesia do que são apenas palavras sem arte.

“Nossa, assim você me mata!

Ai, se eu te pego…

Delícia… Assim você me mata”

Minha gente, o que é isso?

O que significa “Delícia”, nessa letra? O que há de belo aí? Não tem uma rima, não provoca uma reflexão…

Outro dia, eu estava tentando entender o que é um “Meteoro da paixão”. Não consegui compreender nada de interessante desse termo. Até pensei que pudesse haver algum significado escondido…

Para mim, uma música assim, em parte é arte, em parte é comunicação falada normal.

A não ser que desconsideremos os significados, como se a letra fosse em chinês ou grego, e apreciemos apenas a melodia do cantor, junto com os sons dos outros instrumentos.

Mas aí voltará a ser apenas música (sons), sem poesia (linguagem).

Mas pelo menos será 100% arte, novamente.