Nova linguagem de programação

março 14th, 2012 | 0 comments

Vou criar uma nova linguagem de programação!

Ser√° que consigo? Em quanto tempo?

Concluo que as linguagens mais comuns existentes se preocupam com ambientes profissionais complexos, comerciais e lucrativos, com funcionalidades diversas e documentação muito complicada, em inglês.

E quem traduz para o português não é pedagogo, então a didática dos livros normalmente é péssima.

Já que sou professor, por que não encampar um movimento pela iniciação adequada da criança ao processamento de dados?

Num mundo onde tudo está se informatizando e virtualizando, as crianças crescem excluídas do processo. Qual o futuro de um povo, se assim continuar?

Tenho estudado algoritmos mas só tenho encontrado coisas voltadas a adultos, a ambientes universitários, e também voltado ao ambiente comercial.

Onde est√° a brincadeira, a programa√ß√£o descompromissada? E o encanto do desafio de fazer um programa in√ļtil, s√≥ para ver ele funcionar na frente dos seus olhos?

Como associar esse clima juvenil ao domínio de um computador?

E como incluir no processo a língua portuguesa?

Estou animado em me dedicar a algo novo e a mostrar aqui meus passos, minhas escolhas, se possível trocar idéias e conseguir parceiros que tenham esse mesmo interesse, como eu.

E hoje, 14 de março de 2012, é o marco zero dessa nova linguagem.

Programação para crianças 3

março 14th, 2012 | 0 comments

A orienta√ß√£o √† objetos √© organizada, linda… Mas complexa demais para as coisas simples.

Imagine uma criança de 11 anos tentando imprimir na tela o resultado de 2 + 2, tendo que criar um objeto para isso!

Para tornar tudo mais simples, proponho iniciar com uma programação imperativa.

Por exemplo, o programa se resume a uma √ļnica linha:

print(2+2)

E o programa lhe mostra o resultado: 4.

Para crianças e adolescentes, que nunca viram uma linguagem de programação na vida, os nortes ideais são:

  • Simplificar ao m√°ximo: poucas linhas e comandos (nada de objetos!)
  • Partir do que √© concreto: ver sempre resultados na tela

A orientação a objetos é um paradigma importante, mas abstrato. Vai entrar posteriormente no meu projeto de curso para crianças.

Mais uma do Kamel: Racismo e fraude

março 13th, 2012 | 0 comments

J√° conheci pessoas que n√£o possuem boa sensibilidade para discutir quest√Ķes sociais.¬†Mesmo assim, discutem:

“H√° uma semana, o¬†IBGE divulgou pesquisa sobre¬†emprego e ra√ßa, e os jornais conclu√≠ram que os dados ‚Äúcomprovavam‚ÄĚ que¬†os negros s√£o discriminados no mercado de trabalho.”

“A pesquisa revelou que os negros¬†[...] s√£o a¬†maioria dos desempregados, t√™m as¬†piores ocupa√ß√Ķes e ganham a metade¬†do sal√°rio dos brancos [...] Mas nada¬†no estudo permitia dizer que os negros¬†est√£o nessa condi√ß√£o porque o Brasil √©¬†racista ou porque os brancos s√£o racistas ou porque os empregadores discriminam os negros.” (Ali Kamel, O GLOBO, 15-06-2004)

A principal quest√£o n√£o √© o que vai comprovar a discrimina√ß√£o, mas por que os negros “s√£o a¬†maioria dos desempregados, t√™m as¬†piores ocupa√ß√Ķes”…

Esse é o ponto.

Não é preciso ter a pele branca, para ser racista. Basta ainda ser regido pela cultura portuguesa escravocrata, que ainda persiste e deixa estas marcas na nossa sociedade.

Ainda ontem, censurei um aluno (negro), que praticava o bullying com o cabelo da colega (também negra). Era uma brincadeira mas permeada por esta cultura branca, de que o cabelo do negro é ruim e o do branco é bom.

Esta mesma cultura ainda nos faz:

  • Chamar a capoeira de “macumba”, pejorativamente
  • Ter medo de quem usa as vestes do candombl√©
  • Desmoralizar o samba, uma dan√ßa que √© nosso patrim√īnio
  • E, s√≥ de ouvir o toque de um tambor, j√° pensar que algu√©m est√° invocando o diabo.

Ainda hoje, o que é fruto da tradição afrodescendente é demonizado. Como podemos não ser racistas?

“Quando os pobres deste pa√≠s tiverem¬†uma educa√ß√£o de qualidade, todos ter√£o a mesma chance no mercado de¬†trabalho. E as distor√ß√Ķes entre brancos¬†e negros ter√£o um fim.”¬†(Ali Kamel, O GLOBO, 15-06-2004)

Eu duvido que isto ter√° um fim t√£o simples assim.

A fome e o efeito estatístico

março 12th, 2012 | 0 comments

De um diretor de jornalismo da Rede Globo (procure-o nos créditos do Jornal Nacional):

“Isso leva a situa√ß√Ķes absurdas. Por¬†exemplo: cada vez que o governo aumenta¬†o sal√°rio-m√≠nimo ele est√°, automaticamente,¬†aumentando o n√ļmero de¬†pobres e de famintos. Se o sal√°rio sobe¬†de R$ 260 para, por exemplo, R$ 300, o¬†n√ļmero de pessoas que disp√Ķem de menos¬†de meio sal√°rio-m√≠nimo sobe imediatamente.¬†Antes, quem tinha renda¬†per capita entre R$ 130 e RS 150, para o¬†governo, n√£o era nem pobre, nem faminto.¬†Com o aumento, passa a ser. Mas isso¬†n√£o √© fome, √© efeito estat√≠stico.” (Ali Kamel, O GLOBO, 21-09-2004)

Que matemática é essa?

O salário mínimo de 2004 a 2012 cresceu de R$ 260,00 para R$ 622,00.

As classes D e E, as mais pobres, encolheram de 51% para 35%, entre 2005 e 2009.

Essa conta do Kamel n√£o fecha…

Parei de ler o artigo na metade, logo após este trecho:

Usar a linha da pobreza como norte para achar famintos é um erro. Pelos motivos apontados acima e por mais este: o pobre pode ter uma renda monetária que o coloca abaixo da linha da pobreza, mas, ao mesmo tempo, ter um roçado, umas galinhas, um porco, uma horta que lhe fornecem alimentos para não passar fome.

Foi a gota d’√°gua!

As partes e o todo

março 11th, 2012 | 0 comments

Pensamento sist√™mico…

Uma vez lia Proudhon, que explicava sobre a força coletiva e a exploração dos trabalhadores. O ponto era:

“Se 500 trabalhadores constroem uma ponte em um ano, Uma pessoa constr√≥i uma ponte em 500 anos?”

Ora, ent√£o porque depois v√£o dizer que o governador “fez” aquela ponte?

H√° produ√ß√Ķes que somente uma for√ßa coletiva pode gerar. Nenhum homem pode faz√™-la sozinho, nem se apoderar dela, sen√£o por roubo.

Mas a ideia vai ainda além: o Todo não é simplesmente a soma das partes!

Em muitos casos, somar é pouco: o trabalho coletivo multiplica. Até há um termo apropriado para isto: Sinergia.

Mais uma vez (de muitas), Descartes errou.

Vejam este vídeo e compreendam esta ideia na história dos sábios surdos e o elefante:

 

“A gente enrola”

março 11th, 2012 | 0 comments

Conversa reservada:

“Na verdade, a gente n√£o d√° aula, a gente enrola. Voc√™ v√™: estamos em mar√ßo, n√£o chegou material, temos uma s√≥ quadra para dividir entre os professores, os alunos com pregui√ßa de trocar de roupa e fazer aula… √Č imposs√≠vel trabalhar direito assim.”

Obs: nada como em 2010, com quatro professores de Educação Física para dar aula numa mesma manhã.

Cotidiano escolar

março 6th, 2012 | 0 comments

A turma vai subindo para a primeira aula na quadra, deste ano:

— Professor, vai ter futebol hoje?

— N√£o

— Ent√£o nem vou trocar de roupa…

A política na Educação Física escolar

março 6th, 2012 | 0 comments

Pol√≠tica √© uma palavra que se refere aos assuntos da cidade: Como pode um “cidad√£o” detestar os assuntos de sua cidade?

A escola finge ser apol√≠tica, mas quer formar cidad√£os. √Č uma contradi√ß√£o fundamental.

O mundo tenta combater o sedentarismo, busca uma melhor sa√ļde, enquanto a Educa√ß√£o F√≠sica escolar segue apol√≠tica, quando temos in√ļmeros bairros com condi√ß√Ķes prec√°rias na oferta de espa√ßos gratuitos para o lazer.

N√£o h√° parques, praias, ciclovias, lugares bonitos para passear, caminhas, correr, pedalar, nada que tire o cidad√£o de casa para se movimentar mais.

√Č contradit√≥rio.

Dei uma sugest√£o para incluir, no curr√≠culo m√≠nimo 2012, a discuss√£o de pol√≠ticas p√ļblicas para esporte e lazer. Acabou ficando de fora.

Entro em sala de aula e n√£o h√° um planejamento para discutir isso com os alunos:

  • Que espa√ßo gratuito a cidade oferece para o combate ao sedentarismo?

Parece pecado a Educação Física tratar de política, dar a consciência ao aluno de sua condição social e de sua força transformadora.

Nesse caso, eu sou um pecador.

 

Piaget na pr√°tica

março 2nd, 2012 | 0 comments

Minha filha fez dois anos, em janeiro. De repente, começou a brincar sozinha. Agora há pouco, ela me chamou e disse que estava usando chapéu. Olhei e era uma peça de montar, estilo Lego, mas maior, para crianças pequenas.

Uma pe√ßa quadrada, de tr√™s cent√≠metros… Virou chap√©u!

√Č incr√≠vel como as medidas do Piaget s√£o precisas. No per√≠odo pr√©-operat√≥rio, de dois a seis anos, a crian√ßa entra num mundo de imagina√ß√£o e fantasia, que pouco se distingue da realidade.

Estou comprovando Piaget na pr√°tica.