A fome e o efeito estatístico

março 12th, 2012 | 0 comments

De um diretor de jornalismo da Rede Globo (procure-o nos créditos do Jornal Nacional):

“Isso leva a situa√ß√Ķes absurdas. Por¬†exemplo: cada vez que o governo aumenta¬†o sal√°rio-m√≠nimo ele est√°, automaticamente,¬†aumentando o n√ļmero de¬†pobres e de famintos. Se o sal√°rio sobe¬†de R$ 260 para, por exemplo, R$ 300, o¬†n√ļmero de pessoas que disp√Ķem de menos¬†de meio sal√°rio-m√≠nimo sobe imediatamente.¬†Antes, quem tinha renda¬†per capita entre R$ 130 e RS 150, para o¬†governo, n√£o era nem pobre, nem faminto.¬†Com o aumento, passa a ser. Mas isso¬†n√£o √© fome, √© efeito estat√≠stico.” (Ali Kamel, O GLOBO, 21-09-2004)

Que matemática é essa?

O salário mínimo de 2004 a 2012 cresceu de R$ 260,00 para R$ 622,00.

As classes D e E, as mais pobres, encolheram de 51% para 35%, entre 2005 e 2009.

Essa conta do Kamel n√£o fecha…

Parei de ler o artigo na metade, logo após este trecho:

Usar a linha da pobreza como norte para achar famintos é um erro. Pelos motivos apontados acima e por mais este: o pobre pode ter uma renda monetária que o coloca abaixo da linha da pobreza, mas, ao mesmo tempo, ter um roçado, umas galinhas, um porco, uma horta que lhe fornecem alimentos para não passar fome.

Foi a gota d’√°gua!

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