Cotidiano escolar

março 16th, 2011 | 1 comment

Primeira aula do ano e vai o professor de Educação Física para o quadro escrever. De costas, ouve o comentário de um aluno, ao remexer seu caderno:

“Quero saber onde eu vou botar a mat√©ria dele…”

An√°lise qualitativa na escola

março 16th, 2011 | 0 comments

No curso de gradua√ß√£o em Educa√ß√£o F√≠sica, mat√©rias como Biomec√Ęnica e Cinesiologia podem parecer aterrorizantes…

Porém, só os professores de Educação Física estudam este tipo de área do conhecimento. Nós é que devemos levar isto para a escola.

O melhor espa√ßo no planejamento para trabalharmos com a an√°lise de movimentos √© o 2¬ļ ano do Ensino m√©dio. Apenas proponho adaptar o conte√ļdo √† realidade dos alunos. Exemplos a seguir:

Esporte

Escolher um aluno da turma que saiba fazer bem um drible ou alguma manobra com a bola nos pés, e dar um tempo para que os outros alunos tentem copiá-lo.

Dança

Utilizar os passos de algum aluno que saiba sambar bem, ou uma movimentos de samba de uma vídeo aula, e levar os alunos a observar os movimentos para tentar aprender os passos.

Jo√£o Batista Freire

março 16th, 2011 | 0 comments

Quando estamos na universidade, com 23 anos, as coisas s√£o um pouco confusas…

Lembro que eu estava estagiando no Centro Esportivo Virtual, e num dia nosso “chefe” levou para a sala do CEV o Jo√£o Batista. Conversaram por longo tempo. Eu n√£o sabia quem ele era. Isso foi em 2002.

Um ano depois, fui estudar com o jo√£o a cadeira “Pedagogia da Educa√ß√£o F√≠sica”. N√£o tenho como medir o quanto aqueles encontros mudaram o funcionamento do meu c√©rebro.

Uma das coisas mais marcantes aconteceu num trecho de aula sobre as habilidades motoras e os jogos. E eu perguntei a ele como far√≠amos para saber quais jogos desenvolvem quais habilidades. A resposta come√ßou mais ou menos assim: “√Č s√≥ voc√™ pensar o jogo!“.

No come√ßo do curso universit√°rio, n√£o sabemos a por onde come√ßar a organizar as coisas… Ouvia tantas cr√≠ticas sobre aqueles livros do tipo “1000 jogos”, como se fossem um manual para criar aulas burras… Agora, esse “pensar o jogo” muda tudo, pois torna qualquer jogo aproveit√°vel.

O fato é que eu comecei a pensar os jogos, e acho que isso fez uma grande diferença. O que eu não conseguia fazer com 23 anos de idade, levo meus alunos a fazer no sétimo e no oitavo ano. O Queimado, o Pique bandeira, assim como outros tantos jogos, possuem seu grupo de habilidades predominantes, seus componentes estratégicos, e a própria prática de democracia pode ser aprendida ali. Descobri que a Educação Física é muito mais rica do que normalmente se pensa.

João Batista Freire nos trouxe uma Educação Física que vai além da prática puramente motora das atividades. Precisamos aproveitar isto.

Quanto ao “chefe” La√©rcio, do CEV, um dia ainda tenho que deixar um testemunho sobre ele.

Educação dos sentidos РTato

março 5th, 2011 | 0 comments

Dentre as habilidades perceptivas listadas por João Batista Freire, listadas em seu livro Educação como prática corporal, está a sensibilidade, que se refere aos cinco sentidos.

Previ uma concentração de trabalhos com a educação dos sentidos no primeiro bimestre do sétimo ano (que, aliás, eu procuro fazer praticamente sem bola). Na Educação Física Escolar, não temos tempo para desenvolver os sentidos de uma pessoa, mas temos tempo para despertar nela a consciência sobre os sentidos, sobre aprimorá-los e os colocar à prova.

Hoje foi o dia do ano em que levei a primeira atividade de sensibilidade aos meus alunos de sétimo ano. Com poucos recursos, e sem saber exatamente como manufaturá-los, juntei três sacolas quase que completamente opacas, coloquei dentro da cada uma um objeto e as levei para a escola.

Os objetos eram: uma escova pequena de limpar roupas e sapatos, um pregador de roupas e uma tampinha dosadora de xarope.

Era a √ļltima atividade do dia. Eles tinham que colocar a m√£o no saco e, sem usar sua vis√£o, tatear cada objeto e descobrir o que era. A atividade foi r√°pida e simples. Comentei a teoria da atividade e a iniciamos. Eles ficaram em sil√™ncio at√© que todos terminassem de tatear os tr√™s objetos.

Para minha surpresa, a turma acertou até a tampinha de xarope. Vou precisar de objetos mais difíceis, da próxima vez.

O tempo para Educação Física

março 5th, 2011 | 0 comments

Ah, o tempo! Se a Educa√ß√£o F√≠sica tivesse mais tempo na escola…

Se n√£o me engano, o texto original da LDB garantia tr√™s aulas semanais de 50 minutos √† Educa√ß√£o F√≠sica. Se diminuiu, implicitamente √© porque a sociedade brasileira n√£o v√™ import√Ęncia suficiente na Educa√ß√£o F√≠sica atual. Afinal, quem iria diminuir uma mat√©ria escolar importante?

O que temos são dois tempos de 50 minutos, normalmente no mesmo dia. Porém, a verdade é que o tempo é ainda mais escasso. Precisamos de 10 a 20 minutos para o deslocamento até a quadra, para a primeira troca de roupa, para reunir a turma toda, e mais 20 minutos para que os alunos usem os banheiros, os chuveiros, e troquem de roupa, ao final da aula. Assim, uma aula de 50 minutos cai para 20 minutos, e duas aulas de 50 minutos (100 minutos), cai para 60.

O que podemos ensinar bem em tão pouco tempo, num só dia por semana? Penso:

  • √Č ilus√£o querer usar este tempo para promover ganho de aptid√£o f√≠sica nos alunos. Precisaria de um m√≠nimo de tr√™s dias alternados por semana.
  • Me parece insuficiente para desenvolver com profundidade¬†as habilidades esportivas, caso se vise a formar atletas.

Minha concepção é a de que podemos ensinar bem a Educação Física, se seguirmos o seguinte caminho:

  • Apresentar atividades que os alunos n√£o conhecem¬†(esportes, dan√ßas, lutas, atividades de academia, etc), dando¬†variedade √† sua experi√™ncia na escola, para aumentar a probabilidade de que se interessem por alguma atividade e se tornem seus praticantes, fora da escola.
  • Desenvolver bem apenas duas ou tr√™s habilidades fundamentais dos dois ou tr√™s esportes mais influentes em nossa cultura (como a manchete e a condu√ß√£o de bola com os p√©s e com as m√£os)
  • lidar com o intelecto do aluno, sua compreens√£o sobre o mundo da atividade f√≠sica, atingir sua consci√™ncia, sua cr√≠tica e sua criatividade.

Provavelmente, as 80 horas anuais de Educação Física, com provas escritas e imprevistos diversos, cairá para até menos de 40 horas. Será preciso um estilo de Educação Física que aproveite bem estas horas escassas, para fazer diferença na vida dos alunos.

Diferentes enfoques para o jogo “Queimado”

março 5th, 2011 | 0 comments

Dar enfoque n√£o significa abranger 100% da aula, mas garantir predomin√Ęncia. Assim, por exemplo, podemos usar feedbacks de organiza√ß√£o e de habilidades, no sexto ano, mas em escala bem baixa, pois o enfoque ser√° outro.

Especificar os enfoques de cada ano é evitar que cada atividade ensine ao aluno a mesma coisa, durante o currículo inteiro, o que seria uma perda de tempo para a educação. Evitar misturar os enfoques em todos os anos é evitar a confusão sobre o que ensinar.

Abaixo, exemplos de como desenvolver aulas de queimado, em cada ano, com cada enfoque.

6¬ļ ano (enfoque /cultural): apresentar o queimado como jogo popular, discutir sua competitividade entre os times e a coopera√ß√£o dentro de cada time, citar suas diferen√ßas de uma regi√£o para outra; jogar o queimado da maneira que os alunos o conhecem, de maneira inclusiva, e tomar consci√™ncia de que este √© apenas o queimado da cultura do nosso bairro.

7¬ļ ano (enfoque t√©cnico): descobrir e discutir as habilidades que predominam no queimado (correr, arremessar/finalizar, agarrar, desviar, saltar, se abaixar), quais s√£o mais importantes, como podemos desenvolv√™-las, para adquirir consci√™ncia sobre estes recursos, que ele pode utilizar melhor durante o jogo.

8¬ļ ano (enfoque na auto-organiza√ß√£o): partir da desorganiza√ß√£o para levar os alunos a aprender a organizar o jogo, a discuti e construir as regras democraticamente, antes e durante o jogo (ex: a bola fora que jogo para fora da quadra est√° em campo neutro ou pertence ao outro time? O jogador queimado poder√° voltar do po√ßo?), e a cuidar da organiza√ß√£o estrat√©gica das equipes (ex: como utilizar adequadamente o joguinho, para cansar o adv√©rs√°rio? Quem tem menor risco de perder a bola, ao tentar queimar o adv√©rs√°rio: jogadores do po√ßo ou jogadores do campo?)

9¬ļ ano (enfoque cr√≠tico): avaliar quais capacidade motoras predominam no queimado, avaliar o rendimento do seu time e fazer corre√ß√Ķes (quem arremessa com mais for√ßa? quem resiste melhor ao joguinho do advers√°rio? Quem queima mais e quem queima menos?); avaliar a utilidade do queimado na nossa sociedade (ex: o fato de ser jogo, n√£o esporte, o torna mais ou menos importante?).

1¬ļ ano (enfoque fisiol√≥gico): associar o queimado √† pr√°tica de atividade f√≠sica regular, ao combate ao sedentarismo, seu impacto no ganho de resist√™ncia cardiorrespirat√≥ria, no controle da obesidade e na sa√ļde.

2¬ļ ano (enfoque mec√Ęnico): estudar os grupos musculares principais, envolvidos nos principais movimentos do jogo, os tipos de les√Ķes mais frequentes, avaliar a melhor mec√Ęnica de movimentos como o de arremessar ou o de agarrar a bola, tentar imitar (copiar) algum movimento novo.

3¬ļ ano (enfoque social): tratar o queimado como um recurso de lazer e de conv√≠vio social, discutir maneiras de utiliz√°-lo para atrair pessoas para a atividade f√≠sica, de como utiliz√°-lo sem que a pessoa se machuque em seu lazer, discutir maneiras de inclui-lo no tempo livre das pessoas.

Enfoques da Educação Física

março 5th, 2011 | 0 comments

Cada ano do currículo de Educação Física terá enfoques diferentes. Assim, uma mesma atividade, para anos diferentes, resultará em diferentes aprendizagens.

ENSINO FUNDAMENTAL

6¬ļ ano (enfoque cultural): se concentrar√° em como a atividade se originou e se desenvolveu na sociedade, sua variedade de estilos e os modos de jogar de nossa regi√£o.

7¬ļ ano (enfoque t√©cnico): ir√° se concentrar em aprender quais as habilidades que comp√Ķem a atividade e em como aprimor√°-las.

8¬ļ ano (enfoque na auto-organiza√ß√£o): se preocupar√° com a organiza√ß√£o da atividade, tanto na cria√ß√£o de suas regras, como nos meios estrat√©gicos e t√°ticos que aumentem as chances de √™xito.

9¬ļ ano (enfoque cr√≠tico): procurar√° avaliar e corrigir seu desempenho na atividade, assim como se aprofundar nas quest√Ķes sociol√≥gicas que a cercam.

ENSINO M√ČDIO

1¬ļ ano (enfoque fisiol√≥gico): estudar√° as caracter√≠sticas fisiol√≥gicas da atividade e sua utiliza√ß√£o na manuten√ß√£o da aptid√£o f√≠sica.

2¬ļ ano (enfoque mec√Ęnico): buscar√° conhecer como seu corpo gera os movimentos da atividade, e como transferir os movimentos de outros para seu pr√≥prio corpo.

3¬ļ ano (enfoque social): se voltar√° para o aspecto recreativo e pol√≠tico da atividade, na busca por melhorar a qualidade de vida da popula√ß√£o.

O resto começa aqui

março 3rd, 2011 | 0 comments

O planejamento est√° escrito. √Č uma base.

A partir daqui, o desafio ser√° estud√°-lo, dividi-lo, explic√°-lo, critic√°-lo, aprimor√°-lo, complement√°-lo… Enfim, tudo come√ßa a partir daqui.

O planejamento contempla a teoria, os conte√ļdos. N√£o diz como ser√° a pr√°tica. Sobre metodologia, quero escrever √† parte, aos poucos, e veremos o que ir√° tomando forma.

E h√° t√≥picos que n√£o podem ficar de fora. Por exemplo, para fazer a educa√ß√£o avan√ßar: como ensinar o aluno a pensar, a partir deste planejamento? Como ensin√°-lo a se relacionar democraticamente, ser solid√°rio…? H√° uma lista de t√≥picos, mas n√£o basta apenas cit√°-los.

Quero ir bem fundo nisso.

Cotidiano escolar

março 1st, 2011 | 0 comments

Começo de ano, turma nova de sétimo ano, dois alunos surgem para o seguinte diálogo:

- O que vai ser hoje, professor?

- Um monte de coisas…

- Mas vai ter futebol?

- N√£o.

- Ah! O que vai ter ent√£o, basquete?

- N√£o vai ter bola.

- Ah! Por que n√£o vai ter bola? A gente j√° fica sem poder usar a quadra, a√≠, na aula de Educa√ß√£o F√≠sica a gente n√£o pode usar a quadra…

- Espera a turma chegar do banheiro que voc√™s v√£o ver… Tem um monte de coisas.

Cinco minutos depois… uma menina vem conversar.

- Professor, cadê a bola?

- N√£o vai ter bola.

- A gente vai jogar o que sem bola? Queria jogar um futebol…

Resultado: começamos o ano com jogos de correr, como pique pega corrente, e de noção de tempo, com corda. Curtiram bastante a aula sem bola.

Plano de curso: 6¬ļ ano (Ensino Fundamental)

março 1st, 2011 | 0 comments

Tema: Conhecer e brincar com a Educação Física

Objetivo: Levar os alunos a praticar as habilidades mais básicas em forma de brincadeiras, com foco na participação de todos os alunos.

Aulas pr√°ticas: enfoque cultural

Conte√ļdos

1¬ļ Bimestre

Tema: Introdução à Educação Física

Subtemas: Esportes, jogos, dan√ßas, lutas, gin√°sticas, orienta√ß√Ķes e regras para as aulas de Educa√ß√£o F√≠sica, aquecimento e relaxamento.

2¬ļ Bimestre

Tema: Brincadeiras populares, de rua e circenses

Subtemas: Introdu√ß√£o √† atividade f√≠sica e sa√ļde, jogos e brincadeiras populares existentes.

3¬ļ Bimestre

Tema: Atividades de lazer e cuidados com o corpo

Subtemas: Cuidados com o corpo e a mente, IMC, bullying, esportes radicais, atividades ao ar livre, atividades de lazer e passatempos.

4¬ļ Bimestre

Tema: Cooperação e competição

Subtemas: Competi√ß√£o e coopera√ß√£o nos jogos e na vida em sociedade, inclus√£o x exclus√£o, jogos cooperativos, competi√ß√Ķes existentes.